O panorama das bebidas no Brasil atravessa uma transformação sem precedentes, onde a agilidade do consumo encontra o rigor da coquetelaria técnica
Para entender os bastidores dessa evolução, conversei com André Leonel, um dos idealizadores da Boozen e da Brasil RTD Cup. Em nossa entrevista, ficou claro que o setor de Ready to Drink (RTD) atingiu sua maturidade sensorial e comercial, tornando-se a nova fronteira da hospitalidade brasileira.
O projeto nasceu de forma despretensiosa e com um desafio extra: os fundadores vieram de áreas como o Direito, o que exigiu uma curva de aprendizado intensa. O foco inicial era dar voz a pequenos produtores que, apesar da excelência, não acessavam os grandes canais de vendas.

“Havia a expectativa de concorrer com supermercados no preço, mas barreiras logísticas e de fornecedores impediram preços agressivos no varejo tradicional”, revelou André.
A solução veio do aprendizado fundamental: o verdadeiro valor está na organização coletiva. Enquanto outros setores se enfraqueceram pela competição de preços, os produtores de RTD em Minas abraçaram o associativismo. Compras coletivas de insumos e o uso de canais alternativos de venda tornaram-se o diferencial para enfrentar as gigantes do mercado.

O Epicentro da Inovação: Brasil RTD Cup 2026
O reflexo nítido dessa união foi a edição 2026 da Brasil RTD Cup. Nos dias 24 e 25 de janeiro, o Mercado de Origem (Olhos D’Água) tornou-se o epicentro da inovação, com um crescimento de 50% em relação ao ano anterior. O evento reuniu 92 rótulos de 42 marcas, avaliados por um júri misto de mixologistas e público geral.

O Pódio da Inovação:
* Manza Destilados: Consagrou-se com o prêmio de Melhor Drink Geral.
* Like Wine: Brilhou ao levar quatro troféus (incluindo o 1º lugar em Álcool de Cereais).
* The White Rabbit: Garantiu três prêmios importantes, reforçando a sofisticação visual e sensorial das latas.
Belo Horizonte: A Capital do “Pronto para Beber”
BH consolidou-se em 2026 como a indiscutível capital brasileira dos RTDs. A cidade soube converter a expertise técnica de suas destilarias de gin e cachaça para liderar a revolução das latas. Marcas como Xeque Mate e Lambe Lambe, nascidas no coração de Minas, hoje são referências nacionais que atraem investimentos milionários.
Para sustentar esse ecossistema, a plataforma BOOZEN opera via dropshipping, conectando fábricas (especialmente do polo do Jardim Canadá) diretamente aos consumidores. Com um portfólio de mais de cinquenta drinks e planos de expansão para São Paulo, o modelo mostra que a tecnologia e a gestão horizontal são os pilares dessa nova era.
O “Pulo do Gato” no Carnaval
Com a proximidade da folia, o cenário estratégico é único. André Leonel analisa que a ausência de grandes patrocínios exclusivos de cervejarias no Carnaval de BH em 2026 abre uma avenida de oportunidades. É o momento perfeito para vencer o preconceito e fazer o folião experimentar o drink pronto. A praticidade da lata, aliada à qualidade da coquetelaria mineira, promete tornar esses drinks os novos queridinhos das ruas.
O futuro da coquetelaria brasileira está sendo escrito agora: é tecnológico, associativo e, acima de tudo, focado na identidade local. Como diz André: “Os verdadeiros donos do evento são os drinks prontos”. E o futuro deles, ao que tudo indica, está muito bem lacrado em uma latinha de alta qualidade.