Caminhar pelos corredores da ProWine São Paulo deixa muito claro como o mercado por aqui está aquecido.
Enquanto vários países tradicionais da Europa vêm encarando uma queda no consumo de vinho, no Brasil a história é bem diferente: a galera quer provar rótulos novos, entender de onde vem cada garrafa, trocar ideia e beber com curiosidade. E, no fim das contas, é exatamente isso que torna uma feira desse tamanho tão bacana. Para mim, degustar passa longe de ser apenas uma avaliação técnica na taça; é uma troca, uma lembrança que volta e aquele momento de se surpreender com o que tá no copo.

O meu ponto de partida foi o estande da LVMH. Querendo ou não, o portfólio deles chama atenção de longe. Comecei logo pela Moët & Chandon, que já dá o tom da experiência. Provei a Moët Ice, que acho uma sacada genial para o nosso clima — leve, despretensiosa e super elegante para beber num dia mais quente. Em seguida passei para o Moët Brut tradicional, que tem outra pegada, mais estruturado, encorpado e com aquela presença clássica que a gente já conhece.
No mesmo espaço também ficavam expostas garrafas de Belvedere, o uísque Glenmorangie e o cognac Hennessy.

Ainda na linha de vinhos da casa, passei por opções perfeitas para o verão. Os rosés e brancos franceses (como o Whispering Angel e a linha da Minuty) são extremamente fáceis de gostar e pedem um copo cheio sem cerimônia. Depois dei uma voltada pelas opções do Novo Mundo, passei pelo Terrazas de los Andes, pelo novozelandês Cloudy Bay Sauvignon Blanc e até por algumas alternativas mais descontraídas feitas para servir direto no gelo.
Na sequência, fiz questão de parar no estande da Menin Company. Eles levaram tanto a linha do Douro mais jovem e fresca — como o Maria Fernanda Vinhas Velhas —, quanto a estrela da casa: a linha de Vinhos do Porto. Aproveitei para provar os exemplares de Porto Branco 10 e 20 Anos. O trabalho que a madeira faz nesses brancos envelhecidos por oxidação é um espetáculo à parte. No nariz e no paladar, aparecem muito forte aquelas notas de frutas secas, nozes, avelã e amêndoa torrada, com um toque cítrico bem gostoso de casca de laranja e fruta cristalizada no fundo. É o tipo de vinho que traz muita bagagem e transmite o peso do tempo, mas sem ficar pesado ou enjoativo na boca. O dulçor entra no ponto certo, super sutil e equilibrado, lembrando bastante a essência do Porto, mas com uma leveza e uma elegância que me agradaram demais.

Para fechar o percurso, também tive a oportunidade de passar pelos estandes do Vale do São Francisco. Por lá, bati um papo super enriquecedor com a jornalista Paula Theotonio, que representa marcas marcantes da região como a Rio Sol, a Vinhos do Vale do São Francisco e a Verano Brasil. Ela apresentou o frescor e a novidade de uvas que se adaptaram perfeitamente àquele terroir único, trazendo desde rótulos mais acessíveis do dia a dia até opções mais estruturadas e ambiciosas. De quebra, ainda pude conhecer alguns vinhos zero álcool, uma categoria que vem crescendo forte, se consolida como nova tendência de mercado e mostra como tem muita coisa moderna e bacana acontecendo por lá.